DIETA
OS RISCOS DO USO
EXCESSIVO DE PROTEÍNA NA ALIMENTAÇÃO
E SUPLEMENTAÇÃO DIÁRIA
As
proteínas estão presentes
em todas as células e tecidos
e formam os principais elementos
estruturais do corpo, além
de participarem de outros processos
do organismo.Elas são formadas
por cadeias de aminoácidos,
sendo estes compostos de carbono
(C), hidrogênio (H), oxigênio
(O) e nitrogênio (N).
Todo organismo vivo depende das proteínas para um adequado funcionamento.
Mas sua função principal não é a obtenção
de energia. E é importante dizer que o excesso de proteína no organismo,
através da ingestão de suplementos de aminoácidos, pode
causar sérios problemas nos rins e no fígado, órgãos
responsáveis pela metabolização dessas moléculas.
Alguns mitos que são passados para os atletas têm de ser desfeitos.
Sim, a proteína pode se acumular no organismo em forma de gordura, quando
em excesso. E não, muitas pesquisas já confirmam que a ingestão
excessiva dela não confere maior ganho muscular aos atletas.
No caso das atletas, é preciso ter atenção também
para a perda de cálcio no organismo. É sabido que as mulheres sofrem
mais com a osteoporose, visto que o estrógeno (hormônio feminino)
está intimamente ligado ao equilíbrio dos níveis de absorção
de cálcio por parte dos ossos. Uma vez na menopausa, ou em qualquer outra
situação em que haja a diminuição deste hormônio
no organismo, acontece um aumento da eliminação de cálcio.
Pois bem, as proteínas têm o mesmo efeito. Quando são excretadas
pelo organismo, levam com elas o cálcio, tão precioso na manutenção óssea.
Segundo a RDA (1989), não é necessário nenhum acréscimo
na ingestão de proteína quando a dieta esta equilibrada energeticamente.
A dieta habitual da grande maioria das pessoas certamente é capaz de suprir
as necessidades diárias de proteína, mesmo que o indivíduo
pratique alguma atividade física com fins de aumento de força ou
hipertrofia muscular, pois "O consenso determina que as pessoas fisicamente
ativas não necessitam de nutrientes adicionais além daqueles obtidos
em uma dieta balanceada" (McArdle, 1998; Lemon, 1996; Lemon 2000).
Suplementos de proteína não são necessários para
indivíduos que desejam hipertrofia muscular (e que tenham uma dieta balanceada
- com carne vermelha, peixes, frango, ovos, leite e derivados), pois a quantidade
de 1,4 a 1,8 g/kg/dia, já superior à recomendada pela RDA, pode
ser alcançada facilmente através da dieta (Clarkson, 1998, Lemon
1996).
A Quantidade Dietética Recomendada (QDR) pelo Departamento de Alimentos
e Nutrição do Conselho
|
Nacional
de Pesquisa/ Academia Nacional
de Ciências (EUA) é de
0,83g de proteína para cada
kg de
massa corporal (PELLET, 1990).
Atualmente
a recomendação de
1,2g a 1,6g de proteínas
por
kg de massa corporal para indivíduos que praticam atividade física
intensa parece ser segura. É importante ressaltar que a dieta do atleta
deve estar em conformidade com as exigências energéticas de cada
esporte. Para tanto, a orientação de treinadores, personal trainers,
médicos e nutricionistas se fazem necessária.
Uma
dieta ideal para o treinamento
deveria
consistir em aproximadamente
60-65% de carboidratos, 15-20%
de proteínas e menos de
25% de gorduras. A ingestão
de uma alimentação
balanceada é a melhor maneira
de conquistar seus objetivos, sejam
eles estéticos, competitivos
ou terapêuticos. Exemplificando:
Uma pessoa
fisicamente ativa, pesando 80kg,
que é praticante
de musculação (que
treina de forma intensa), deveria
ingerir na sua dieta uma média de
4000 calorias por dia – lembrando que 1g de gordura=9cal; 1g de carboidrato=4cal;
e 1g de proteína=4cal. Então desse total de calorias (4000 Kcal),
2600 calorias (65%) são de carboidratos (650g), 600 calorias (15%) são
de proteínas (150g) e 800 calorias (20%) são de gorduras (88.88g).
Façamos as contas: 150g de proteínas equivalem a 1.87g de proteínas
por cada kg de massa corporal (1.87g x 80kg = 150g de proteínas), esse
valor está acima do recomendável pela QRD, que seria de 1.2 a
1.6g.
Apesar de
15% de proteínas
parecer pouco, na verdade não é.
O que acontece normalmente é que
acreditando no fato das proteínas
serem as únicas formadoras
de massa muscular (o que não é verdade),
negligenciamos o consumo de outros
nutrientes deixando o balanço
energético total (proteínas,
gorduras e carboidratos) aquém
do desejável.
Resumindo, o consumo em excesso
de aminoácidos, através da ingestão
dos chamados suplementos, podem ocasionar uma série de problemas ao
organismo, muitos deles não citados aqui hoje. O ideal para qualquer
atleta é mesmo ter uma dieta balanceada, que contemple todos os grupos
alimentares, e todas as substâncias necessárias à manutenção
de nosso organismo. Os atletas devem consultar os profissionais competentes
para adequar a dieta ao seu exercício físico.
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Referências
Bibliográficas:
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I., KATCH, Victor L. Fisiologia
do Exercício.
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MARZZOCO, Anita, TORRES, Bayardo
Baptista. Bioquímica Básica.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1990.
DEVLIN, Thomas M. Manual de Bioquímica com Correlações
Clínicas. Editora Edgard Blucher, São Paulo, 1998.
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia
Médica. 9 ed: Guanabara Koogan,
Rio de Janeiro, 1996.
CLARKSON, Priscilla M.. Nutritional Supplements For Weight Gain. SSE#68, Volume
11, Number 1, 1998.
LEMON, P. W. R. Beyond the zone:
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- 521S, 2000.
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from untrained young males. Nutr.
Res.,10:723, 1990.
PELLET PL. Protein requirements
in humans. Am. J. Clin. Nutr.,51:723,
1990.
Revisado por:
Dra. Juliana Nohara
Fisioterapeuta – Michael N. Tomita
Atleta – Alexandro N. Tomita |
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