SAÚDE
Razões para Correr e
Malhar
Parece estar em moda
no mundo do Marketing apresentar
razões para se fazer algo
e por isso eu resolvi pegar esse “gancho” para
definitivamente convencer as pessoas
a praticar mais de uma atividade
física e o recado vai especialmente
para quem gosta só de correr
ou só de “malhar”. Quem apenas “malha” sente
falta de uma atividade aeróbia
e quem apenas corre também
sente falta de algo a mais para os
músculos. Por que não
fazer as duas atividades? Corrida
e musculação.
Massa
Muscular e Força
Sabidamente a musculação
bem orientada tem a propriedade de
aumentar a força muscular
e o volume dos músculos. Para
quem corre especialmente visando
a qualidade de vida faz toda a diferença,
não só na corrida como
nas atividades funcionais envolvendo
força como, por exemplo, na
ida ao supermercado. Na hora de carregar,
embarcar e desembarcar as compras,
quem apenas corre pode passar o maior
sufoco. Aí, de que adianta
ter um bom condicionamento cardiopulmonar,
baixo percentual de gordura se na
hora “ H ” falta
a força física?
Obesidade
A corrida é uma
das boas atividades físicas
que contribuem para o emagrecimento
e não faltam trabalhos atestando
isso e exemplos de pessoas que emagreceram
bastante correndo. Entretanto, um
dos mitos ainda presente na população é pensar
que a musculação não
emagrece. Quem está envolvido
em programas de emagrecimento o que
vale é o balanço calórico
negativo. Isso significa dizer que
as calorias gastas na musculação
se somam às da corrida e não
importa se as duas atividades são
feitas uma após outra ou em
seções separadas no
mesmo dia. Vale a soma das calorias
gastas. Além do mais, uma
pessoa com excesso de peso nem sempre
pode começar a correr, mas
pode começar a fazer musculação
e caminhar compondo assim uma boa
programação inicial
de exercícios permitindo gasto
calórico considerável.
Um outro álibi seria considerar
que uma pessoa obesa possivelmente
não tenha massa muscular suficiente
para suportar um programa “só” aeróbio. “Só” musculação
também não seria o
suficiente, daí a necessidade
das duas atividades.
Muitas tabelas e números mágicos existem e também
muitos métodos para se determinar o percentual de gordura
corporal. Entretanto, o mais prático principalmente para
o sedentário ou quem esteja começando um programa
de emagrecimento, é o IMC (Índice de Massa Corpórea)
cujo resultado é obtido da divisão do peso em quilos
pelo quadrado da altura em metros.
De acordo com o resultado, o IMC enquadra-se em categoria diferenciada
determinando os graus de obesidade, a saber: Desnutrição,
abaixo de 14,5 - Abaixo do peso, até 20 – Peso normal,
20 a 24,9 – Sobrepeso, 25 a 29,9 – Obeso, de 30,0 a 39,9 – Obesidade
Mórbida, de 40 em diante. Academicamente, aceita-se como
normal e fora de riscos cardiovasculares um IMC de 20 a 25 e
até 27 para os idosos.
Importante - Vale lembrar que essa equação não
se aplica ao atleta porque, no caso, o peso nominal da balança
se deve à massa muscular e não à gordura
corporal. Tanto o corredor, normalmente muito magro, como o adepto
só à musculação estão fora
desse cálculo.
Metabolismo
basal
Ainda seguindo
o raciocínio do balanço
calórico negativo, a musculação
traz uma outra vantagem. Ao ganhar
mais músculos o corpo passa
a gastar mais calorias estando
parado até mesmo durante
o sono no chamado metabolismo basal.
Quem é mais forte gasta
mais calorias dormindo.
Doenças
Cardiovasculares – Duplo Produto
Um dos álibis
mais fortes a favor da musculação é com
relação à sobrecarga
cardíaca. Ao contrário
do que muita gente pensa, o coração
sofre menos se analisado por um dado
chamado Duplo-Produto, que serve
para avaliar o esforço cardíaco.
Ou seja, se refere ao consumo de
O² do músculo miocárdio.
Os médicos chegam a esse valor
multiplicando a Pressão Arterial
Sistólica (aquele número
maior quando a gente mede a pressão)
pela Freqüência Cardíaca.
Sabemos que cada exercício
provoca uma reação
diferente tanto na pressão
arterial como na freqüência
cardíaca dependendo da intensidade
e duração. Nos exercícios
aeróbios tanto a PAS (número
maior da pressão) como a FC
aumentam quase na mesma proporção
e na musculação, em
séries mesmo pesadas somente
a PAS aumenta porque não há tempo
hábil para uma resposta de
aumento também da FC e isso
pode ser uma vantagem para cardíacos.
Um sujeito pode estar correndo numa
esteira com uma velocidade confortável
com pressão arterial e freqüência
cardíaca normais, mas se for
comparar com exercícios de
musculação mais pesada
com series que não ultrapassem
12 repetições o Duplo
Produto na esteira será maior.
Não significa também
que a corrida seja nociva. Apenas
prova que a musculação
não é esse bicho de
sete cabeças, “que aumenta
a pressão”, “faz mal para
o coração”, “machuca”, “dá ataque
cardíaco” e coisa e tal, como
alardeiam por aí. Portanto,
em termos cardíacos a musculação é apenas
mais segura e tem de ser bem orientada
como qualquer exercício inclusive
a corrida.
Flexibilidade
Engana-se quem se
apressa em dizer que a musculação
deixa o sujeito todo duro. Em primeiro
lugar, e isso me parece lógico,
somente a falta de exercício
pode provocar diminuição
da flexibilidade. Se não usa
atrofia. Qualquer exercício,
com ou sem peso, executado de maneira
correta a amplitude articular fatalmente
aumenta contribuindo com a melhora
da flexibilidade como um todo. Além
disso, a musculação
aumenta a quantidade de tecido conjuntivo,
tecido esse que recobre as fibras
musculares e tem propriedades viscosas
e elásticas. Se aplicarmos
uma determinada força num
músculo hipertrofiado e a
mesma força for aplicada no
músculo não treinado,
o primeiro alonga mais. A maior prova
disso são os vários
trabalhos mostrando que levantadores
olímpicos têm flexibilidade
acima da média. Pra matar
essa questão de vez. Pegue
dois pedaços de elástico
exatamente do mesmo tamanho, porém
um grosso e um fino. Se esticar os
dois ao mesmo tempo, qual deles arrebentará primeiro?
Logo, um músculo hipertrofiado
treinado adequadamente é mais
flexível porque a força é vizinha
dessa valência física.
Osteoporose
Sabemos que os ossos
são matérias vivas
e não tão rígidos
como parece. São formados
basicamente de substâncias
orgânicas e minerais responsáveis
pelas propriedades de resistência,
elasticidade, dureza e rigidez. Existe
um processo de construção
e demolição da matriz óssea
respectivamente conhecido por osteoblasto
e osteoclasto que define a saúde óssea
por toda a vida. Se agredirmos o
corpo com alimentação
inadequada, fumo, estresse, sedentarismo,
excesso de exercício e etc.
os ossos ficam enfraquecidos podendo
chegar à osteoporose. Se ao
contrário nos alimentamos
bem, ingerindo cálcio suficiente,
controlamos o estresse e fazemos
exercício adequados os ossos
permanecem sadios a vida inteira.
Por conta da elasticidade os exercícios
de impacto, como a musculação,
induzem o processo de construção
do osso, tanto pela ação
mecânica gerando corrente elétrica
conhecida por propriedades piezo
elétricas como pelo estímulo
de hormônio sexuais. A corrida
também é uma atividade
de impacto. A diferença é que
na musculação além
do impacto geralmente ser gerado
nas duas extremidades dos ossos podemos
estimular todos eles com um programa
de treinamento bem estruturado. Pesquisas
mostram que fisiculturistas chegam
a ter 40% mais cálcio nas
vértebras lombares e corredores
nas fíbulas (antigo osso perôneo
situado ao lado da tíbia).
Diabetes
Já é bem
estabelecido que portadores de Diabetes
tanto tipo 1 ou 2, se beneficiam
bastante com o exercício físico
que ajuda a queimar a glicose sem
a presença da insulina. Se
a corrida já produz esse benefício,
a musculação produz
ainda mais por conta do aumento da
massa muscular. É simples.
Mais músculos, mais queima
de glicose mesmo em metabolismo basal.
Todo diabético consciente
sabe controlar as suas taxas e deve
medir a glicemia antes e depois do
exercício. Entretanto, uma
das recomendações que
se faz na musculação é que
se evitem pesos excessivos que obriguem
bloqueio da respiração.
Pesos excessivos podem gerar lixo
metabólico que podem atrapalhar
a absorção da glicose
no músculo. Nesse caso como
a musculação visa um
benefício ao diabético
não tem sentido exagerar.
Segurança
Por utilizar
máquinas bem projetadas
e pesos adequados a cada um de
acordo com o desempenho, a musculação é considerada
uma das atividades mais seguras
principalmente se acompanhada por
profissionais habilitados. O risco
de acidente é muito baixo
porque só depende de seguir
procedimentos corretos. Outras
atividades a lesão pode
depender da sorte e não
apenas de procedimentos corretos.
Todas
as Idades
Estudos sobre
musculação evoluíram
tanto que hoje em dia é recomendada
desde a infância e adolescência
até os mais idosos. O álibi
que se usava contra-indicando as
crianças e aos adolescentes
com relação ao impacto
sobre as epífises dos ossos
longos caiu por terra. Outras atividades
tais como basquete, vôlei
e a própria corrida produzem
impacto muito maior sempre foram
recomendadas e nunca questionadas.
Na verdade a musculação
na adolescência estimula
o crescimento não só dos
ossos como dos músculos
por conta da explosão hormonal
característica da idade.
Nos idosos o crescimento da massa
muscular e da força, o benefício
mais importante é a total
independência nas atividades
funcionais. É bem estabelecido
que o avanço da idade induz
a perda de massa muscular num processo
conhecido por sarcopenia significando “perda
de carne” (sarx = carne, penia
= perda) cuja origem pode ser multifatorial
sendo a idade uma delas. Em bom
português, de uma forma geral
os músculos vão "secando".
Ou seja, perde-se massa muscular,
sendo esse processo acelerado com
o sedentarismo, vida irregular,
estresse e etc. Além disso,
a própria corrida pode ser
um fator de aceleração
de perda de massa muscular na terceira
idade por conta do processo conhecido
por catabolismo. O idoso que corre
e faz musculação
desfruta de todos os benefícios
da corrida sem perder músculos.
Tem tudo e mais um pouquinho.
As
Mulheres
O medo infundado
que muitas têm quando se
sugere a musculação é de
ficar forte como as que vemos em
revistas de fisiculturismo. As
características fisiológicas
dos músculos de ambos os
sexos são as mesmas, mas
o ganho de força, em condições
normais (sem drogas) é diferente
chegando ao máximo a 2/3
do homem por conta da diferença
hormonal. A produção
de testosterona na mulher é próxima
de 1/3 do homem. As mulheres hoje
precisam de mais força física
nas atividades funcionais por conta
da dupla jornada de trabalho que
enfrentam. Além disso, a
musculação associada à corrida
lhes confere um corpo mais bonito
com tudo no lugar e sem gordurinhas.
Aparência
física
Sem dúvida
nenhuma a musculação
melhora a aparência física
pessoal promovendo uma postura mais
bonita e representativa interferindo
diretamente na auto-estima. Vaidade
dentro dos limites do bom senso não é pecado. É saúde
também.
Por fim, nenhuma
atividade física é completa
por si só nem mesmo a natação
como alardeiam alguns. O ideal é fazer
mais de uma atividade respeitando
o gosto individual para se tornar
um hábito e que de alguma
forma elas além de se completarem
irão promover quebra na rotina.
O corpo precisa de exercícios
regulares, de trabalho prazeroso,
de ocupação da mente
com estudos e/ou qualquer leitura
e de relaxamento também. Não
fazer nada e vez em quando também é bom
e qualquer pessoa de qualquer nível
social pode dar um basta nessa loucura
que é a vida “impõe” moderna.
A primeira desculpa para não
fazer exercício é quase
sempre: “não tenho tempo”.
Preciso trabalhar para ganhar muito
dinheiro, à custa de estar
perdendo a saúde. Um dia vai
gastar todo o dinheiro que ganhou
trabalhando para tentar recuperar
a saúde. Se der tempo.